Como dar o famoso “fora”

Como dar um fora? Como levar um fora com dignidade? Como reagir? Sofrer? Levar a sério? Devemos realmente nos questionar se o problema é com a gente? Perguntas, perguntas, perguntas… E como se resolve tudo isso? Deveríamos ter um radar que nos avisasse quando o outro começasse a ficar de saco cheio pra que pudéssemos pular fora antes. Algumas pessoas tem, mas a minoria… A maioria é composta daquelas pessoas que, em percebendo o desinteresse do outro, gruda ainda mais, tem ataque de ciúmes, espiona o Facebook e o twitter e tenta desesperadamente manter algo que não existe mais. Sim, estes somos nós. Eternos mendigos suplicantes por amor e afeto.

Há alguns dias escrevi no Twitter que não há alternativa. Ou amamos demais quem nos quer pouco ou fazemos sofrer alguém que nos ama demais. E, até aqui, nada aconteceu pra me provar o contrário. Tanta gente quer o que a gente não pode dar e a gente, por outro lado, só quer, de verdade, aquilo que não nos pode ser dado. Não é maldade das pessoas, é crueldade da vida mesmo. Dar o fora em alguém é triste, levar é triste. Sério, a menos que seja um sociopata, acho impossível alguém ficar eufórico logo depois de dar um fora em alguém. Não somos sádicos, só não conseguimos amar quem nos ama.

Mas, afinal, como dar o tão famoso “fora”? As opiniões divergem muito. “Tem que ser que nem arrancar ‘band-aid’: de uma vez” ou “Ah, vale o bom e velho “O problema não é você, sou eu”. Ou então “É que eu ainda não estou pronta…” Só chegamos a uma conclusão: a pessoa que toma o pé no traseiro não quer escutar a verdade. Coisas do tipo “você pega muito no pé.” Ou “Você come de boca aberta” ou ainda “Eu te convidei pra um suco e você já me chamou pra viajar no final de semana, seu mala!!!” Não, o ser humano não quer ouvir críticas. Ele quer ouvir que, apesar das indiscutíveis qualidades dele, VOCÊ é que tem um problema psiquiátrico grave e não consegue ver o quanto vocês dois são ideais um para o outro. É isso que ele quer ouvir agora. Daqui um tempo, encontrando por acaso, é que agente conversa e dá umas dicas do porquê não deu certo. E, tem vezes, que nem vai ter motivo mesmo. A gente, simplesmente, não quer.

Sim, o ideal era que a gente conseguisse terminar um relacionamento ou mesmo um rolo com toda a serenidade, racionalidade e ternura do mundo. Sem mágoas, como dois adultos. Mas, relacionamento que acaba assim, é um em um milhão. E, sinto muito avisar, mas esse foi o meu. Então os próximas 999.999 serão com lágrimas, sofrimento, tristeza e todos aqueles e-mails e SMSs magoados. Todas aquelas cenas de ciúme bestas, todas aquelas imposições de presença mais descaradas e todos os pedidos suplicantes de “volta pra mim, por favor.”

Não tem receita para dar o fora. Receber, então? Nem se fala! Finais são sempre tristes. Fazer sofrer não é nada agradável. Mas a pessoa se recupera. E acho que o que serve de consolo é aquela máxima de que ninguém é insubstituível. E que o outro vai, sim, amar outra vez. Alguém, quem sabe, mais simples que você. Alguém que se abra para as bênçãos que a vida traz. Uma pessoa que saiba amar quem o ama. Alguém gente boa, alguém que o faça feliz. Mais feio, mais bonito, mais magro ou gordo. Tanto faz. Ver o outro feliz deveria nos libertar.

Mas será que liberta mesmo?

***Post originalmente publicado em outubro de 2011.