Ane Molina fala sobre “Amor de Carnaval”

Desculpe se é um tema batido. É que esse é o meu primeiro Carnaval. Carnaval de verdade, é o primeiro. Eu sempre fui anti-carnaval. O carnaval acontecia pra um lado, eu ia pro outro lado. Pois o tempo passa, a vida muda e, acredite, você muda. Esse ano calhou de eu vir para Salvador. Tenho um pedaço de família aqui que nunca havia visitado. Calhou de estar aqui na época do Carnaval. Se eu vim para o carnaval? Não. Mas era a época que eu podia vir e achei que, de qualquer forma, seria uma experiência interessante.

E vim. E, gente, foi massa! Do camarote à pipoca. Fiz a experiência carnavalesca completa. Não poderia deixar de ver o Gandhy, uma coisa doida e linda aquele monte de homem com aquelas roupas brancas jogando perfume na gente. Lindo, lindo mesmo! E os trios são incríveis. Ver do alto (gente, fiquei cara a cara com o Luiz Caldas, veja bem, o Luiz Caldas!) ou brincar no chão, é muito bacana.

Se é violento? Acho que é. Pode ser que sim. Tem uma campanha muito forte aqui em relação à violência contra a mulher no carnaval. Essa coisa de puxar pelo cabelo, pegar pelo braço, beijar à força. Os outdoors dizem “Eu fico, mas com carinho!” Achei bonitinho. E importante. Taí algo que me tira do sério na balada hétero. Homem que pega no que não é seu sem pedir. Não, definitivamente não!

Pois comigo, aqui, não aconteceu nada de errado. Todo mundo me apavorava “Tu tem cara de gringa! Vão te linchar! Vão te atacar!” Não. Nada disso. Só me atacou quem eu deixei. De boa, mesmo! E não fui assaltada, nem pisoteada, nem assediada, nada disso. Claro, tava com os primos daqui, o que ajuda muito. Saber onde ir, hora de chegar, hora de ir embora. Pode ser que o turista que venha sozinho passe um pouco mais de trabalho.

E os baianos? Bem, os baianos… que direi eu sem parecer mais do mesmo? Eu fui tratada como gringa. Os baianos passavam por mim, apontavam pra própria boca e diziam “kiss, kiss!” É bonitinho, gente, essa coisa do beijo aqui. Da brincadeira de carnaval. É romantico! O axé é romântico. Tantas músicas falam de amor. Mesmo que seja um amor de carnaval. Diferente do inaldível “arrocha” (tenho urticária até do nome) que só fala de mulheres bêbadas, carros e homens canalhas, o axé tem muita música bonitinha. E a atitude dos homens é bonitinha. Os baianos tem todo um modus operandi próprio. Eles são cavalheiros. E doces.

Se você, menina turista, não tem a visão de amor pra vida toda, aqui é seu lugar. Falando bem sinceramente, eu sou dessas. Acredito em amor verdadeiro de 3 minutos. Acho que a gente pode se apaixonar perdidamente por 3 horas e sim, adoro a ideia de namorar por 3 dias.

Amor é se entregar, gente. E não importa por quanto tempo. Você toma a decisão de estar com alguém, você já está apaixonado, e é bom que esteja. É momento de aproveitar a presença do outro em sua totalidade. Maior agonia é a pessoa que não se entrega, fica medindo as atitudes, fica distante. Em qualquer situação; esteja inteiro. Faça com vontade. Os abraços devem ser de corpo todo, os beijos devem ser intensos, tem que pegar na mão, tem que fazer juras bobas e tem que olhar nos olhos. Tem que ser real, nem que seja só até terça feira, mas tem que ser real.

Comente

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.