Arrogância e Prepotência

 

“Sob a aparência que vos fere os sentidos… move-se a alma.”

Honoré de Balzac

Poderia ser o título de um livro da Jane Austen, mas não é. Poderiam ser também duas coisas muito distantes, mas agora não são mais. Elas são distantes enquanto pessoas não te dizem essas duas palavras.

O corno geralmente não sabe que é corno. Pois o arrogante/prepotente geralmente não sabe que é arrogante/prepotente. Eu, cá desse banco cheio de tachinhas chamado autocrítica resolvi perguntar “sou ou não sou?”

Primeira coisa que eu fiz foi perguntar pra alguém que me conhece muito (e que me ama o suficiente pra me dizer sempre a verdade mesmo sabendo que ela pode me machucar), se era verdade. Se eu era isso mesmo. No fundo, o que me dá mais medo não é nem ser arrogante ou prepotente. É ser fútil. Futilidade é uma coisa que me assusta, superficialidade e vazio me assustam. Eu não quero ser isso, não! E talvez o fato de trabalhar/estudar/pensar sobre a imagem e suas derivações me aproxime disso, dessa futilidade e superficialidade que tanto tento evitar. Vai que tô aqui, me achando “a profunda” e sendo uma merda de pessoa. Bom, sobre isso eu ouvi (li) o seguinte:

 

“… você tem um discurso pouco usual de valorização da beleza. por isso, algumas pessoas, que te conhecem mais de longe, que ouvem uma ou outra opinião sua, podem ter essa impressão de que você é “preocupada demais” com isso. e posso falar uma coisa? o mestrado te fez um bem danado nesse sentido. acho que você passou dois anos pensando muito em questões que te tocavam há tempos. e deu densidade (não só no sentido acadêmico) a seu posicionamento sobre elas. ao menos no modo como eu te vejo, que é bem de perto.”

Arrogância, prepotência… outra pessoa que me ama muito me disse que é medo. Que me coloco em um pedestal pra que ninguém seja bom o suficiente pra mim. E acho que também pode ser. Todo mundo tem suas tretas emocionais que são difíceis de resolver, muitas vezes são quase impossíveis de admitir e enxergar. E talvez nossos medos sejam as mais complicadas delas. Redomas transparentes que construímos ao redor de nós mesmos e que nos fazem flanar pelo mundo sem que muita coisa nos atinja, ou ainda que não vivamos tudo o que a nós foi reservado. Daí vem mais uma reflexão minha: são essas redomas que nos impedem de cumprir o carma e por isso seguimos enfrentando situações parecidas e passando pelos mesmos perrengues, em aprender nada com eles. Mudar dói.

Continuo aqui sentada no meu banquinho cheio de tachinhas: a autocrítica. Tô de castigo há dias pensando em como ser melhor. E a vida te sacode pra isso, pra você tentar ser melhor. E não acho que seja um exercício vão, porque já mudei muitas coisas em mim que consegui reavaliar. Tento ser menos julgativa, ouvir as pessoas com mais afeto. Tento dar liberdade aos que amo, sabendo que a felicidade está em muitos lugares, não só na nossa companhia. Falta talvez perder o medo das pessoas, mas isso eu já tô tentando também. Quanto a minha arrogância e/ou prepotência, acho que ainda não acertei o grau da lente pra ver essas coisas em mim. Prometo ficar mais atenta. Mas se for sobre curtir gostoso a beleza em mim ou nas pessoas, daí complica.

1 comentário sobre “Arrogância e Prepotência

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