Saiba tudo sobre calvície e queda de cabelo

Quem acompanha o Mistermagazine sabe que a gente sempre fala sobre calvície, e quanto mais abordamos o assunto, mais dúvidas surgem. A calvície ou alopecia androgenética é uma condição genética como o próprio nome diz, associada a fatores hormonais que causam um afinamento gradual e progressivo dos fios. Não raro, essa queda gradual de cabelos é motivo de muito descontentamento para alguns homens. Para além da questão estética, a calvície desencadeia problemas emocionais, uma vez que afeta a auto-percepção. “A alopecia tem poucos efeitos físicos nocivos, mas pode levar a consequências psíquicas, incluindo alto nível de ansiedade e depressão”, afirmam os psicólogos Nigel Hunt e Sue McHale, autores do livro Coping with Alopecia (“Lidando com a alopecia”, em tradução livre). 

Conversamos com o Dr. Lucas Fustinoni, médico e criador do Éclairé, – canal no YouTube com mais de 1 milhão de inscritos – , sobre algumas das mais recorrentes questões sobre o assunto.  

1. Quais as causas mais comuns da perda de cabelo?

No caso dos homens, com certeza, são as alterações hormonais, sobretudo o excesso de Dihidrotestosterona (DHT). Quando conectado a um receptor, esse hormônio derivado da testosterona causa danos aos folículos capilares, reduzindo-os, ocasionando sua morte e, consequentemente, a calvície. Junto com isso, podemos citar a falta ou excesso de vitaminas, cujo uso indiscriminado pode piorar a queda de cabelo.

2. A calvície é uma herança genética?

É uma herança poligênica, ou seja, em que ocorre a interação de vários genes. Isso significa que mesmo que seu pai ou avô sejam calvos, não necessariamente você apresentará essa condição. Para se ter uma idéia, a calvície pode pular até sete gerações sem se manifestar. Algumas pessoas têm níveis altos de DHT, mas não têm os receptores, o que impede a calvície de se pronunciar. É por isso que há casos de homens que têm ocorrências de calvície na família, mas não desenvolvem essa condição.

3. Por que há tantos jovens ficando careca atualmente?

Principalmente por causa da alimentação. O leite que nós consumimos tem muitos hormônios, que acabam sendo absorvidos e afetam o cabelo. Carboidratos simples, aqueles com alto índice glicêmico como arroz branco, macarrão, pão branco, pizza, chocolate, refrigerantes, derivados de leite e bebidas isotônicas, por exemplo, aumentam a produção de hormônios sexuais ruins, que diminuem a densidade dos fios. Além disso, estresse, alimentação inadequada e o esgotamento do solo também contribuem com a queda de cabelo.
A qualidade da alimentação é um fator que pode agravar a queda de cabelos 

4. Como essa perda de cabelo progride?

Progride com o passar dos anos, mas homens que sofrem de calvície precoce certamente ficarão calvos mais rapidamente. Há também relação com a espessura do fio. Descendentes de alemães, italianos e poloneses, que têm o cabelo “fino”, acabam ficando calvos em menos tempo. Já os descendentes de árabes, que têm o cabelo “grosso”, conseguem manter os fios “vivos” por um período maior, e nós conseguimos restaurar com mais facilidade o cabelo por meio de tratamento.
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5. Como posso saber se estou ficando calvo?

Observando a quantidade de fios na “coroa”, ou topo da cabeça. Homens mais altos têm dificuldade de perceber a queda de cabelo nessa região, que é justamente um indicativo da calvície. O ideal é analisar essa área com um espelho, de preferência com o cabelo úmido, o que faz com que os fios percam o volume. Outro método importante é observar fotos mais antigas para avaliar a perda de cabelo.
Evolução da calvície 

6. Há alguma maneira de fortalecer os folículos e retardar a perda de cabelo?

Sim, por meio da ingestão de vitaminas, minerais, aminoácidos e da aplicação de laser de baixa potência no couro cabeludo, para estimular o crescimento dos fios.

7. Quais os métodos mais utilizados no tratamento da calvície?

O primeiro passo é solicitar exames para analisar o equilíbrio hormonal e de vitaminas e identificar o que exatamente está causando a calvície. Em alguns casos, pode ser necessário colher um pequeno fragmento do couro cabeludo e solicitar uma biópsia. A partir daí, fazemos a reposição de tudo o que está em falta no organismo e que pode causar a queda do cabelo.

8. Em quanto tempo esses medicamentos começam a surtir efeito?

Após dois ou três meses, lembrando que o tratamento deve ser contínuo, já que não existe cura para a calvície.

9. O transplante capilar é uma solução definitiva?

Sim, o cabelo transplantado não volta a cair, mas é necessário que o paciente cuide da saúde dos fios antes e depois de realizar o transplante.

10. Quanto custa, em média, um transplante capilar?

Há várias técnicas de transplante, vou citar duas com o maior aproveitamento de folículos e que não deixam cicatrizes lineares. O FUE (Follicular Unit Extraction) é um procedimento manual que utiliza um instrumento de precisão para extrair uma a uma as unidades foliculares diretamente da área doadora e, em seguida, os transplanta individualmente para a área receptora. Já o transplante robótico trabalha também com a extração folicular, mas com a vantagem de uma maior eficiência, rapidez e precisão na extração desses enxertos, minimizando danos aos folículos e diminuindo o tempo da cirurgia. Essas modalidades de transplante capilar custam, em média, R$ 25 mil e R$ 40 mil, respectivamente.

11. O valor é cobrado por área a ser tratada ou pelo procedimento como um todo?

Os valores dependem da área calva e da quantidade de cabelo a ser implantada. Um homem com a calvície mais avançada demandará um tempo maior de cirurgia, que consequentemente custará mais.
Dr. Lucas Fustinoni é médico (CRM-PR 30.155) e idealizador do Éclairé, canal no YouTube com dicas diárias de saúde, alimentação, exercícios físicos, bem estar e qualidade de vida, que conta com mais de 1 milhão de inscritos.

 

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