Sobre amor e lembrança

Uma das sensações mais estranhas que se pode ter na vida é a lembrança de um sentimento. Você não sente mais aquilo, já passou, acabou e você sabe disso. Mas você vê um filme, ouve uma música ou passa algumas horas com alguém e você lembra de como era. Como aquilo já te fez feliz. E triste. O quanto tudo já foi importante e importante a ponto de te matar de prazer e de dor. E agora não é mais.

Não que não seja nada. Nada, nada. Alguma coisa sempre sobra. Mas é estranho. Lembrar de sentir amor e não sentir mais amor. E é essa sensação de vazio. Da lembrança e do espaço que o amor deixou, é que te faz duvidar da capacidade de amar de novo. E é por isso que a gente se fecha e acha que nosso quinhão de amor já foi. E agora, o resto da vida será menos importante que aquilo que se viveu.

Enquanto se é capaz de ter a lembrança viva do amor que se sentiu, é pouco provável que se tenha outro. É esse espaço sabe? Que foi moldado ao longo dos anos e que tem aquele formato, daquela pessoa. É complicado encaixar outro alguém naquele molde. As paredes ainda estão muito fixas, muito duras.

Acho que com o passar dos anos essas paredes amolecem. A lembrança vai se tornando cada vez mais tênue e é até capaz de, algum dia, esse espaço abrigar outra coisa, com outra forma totalmente diferente. Mas isso deve levar um tempo. Imagino eu.

Tempo é uma palavra que me toca porque ao mesmo tempo que estamos cheio dele cada segundo a mais é um a menos e a gente não sabe muito bem como vai viver o próximo, sem disperdiçar. Tempo perdido esse de esperar a lembrança do amor passar. Quanto tempo perdido! Nenhum outro será igual, pessoas não se repetem. Quanto tempo leva? Enigma pra um futuro. Distante ou próximo, sabe-se lá!

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